Skip navigation

Category Archives: ANÁLISE

A Câmara Municipal de Guimarães apresentou o seu projecto para o novo recinto da feira semanal da cidade, junto ao actual Mercado de Guimarães. O projecto é da autoria do Arquitecto Manuel Antunes e integra o interior de um quarteirão que compreende as Ruas de D. João I, do Montinho e a D. Bento Cardoso, onde fica o antigo convento das Dominicas.

O projecto prevê ainda a ligação, através da via que agora dá acesso ao novo mercado à zona de Trás-de-Gaia e ao Guimarães Shopping. Está previsto um recinto com uma capacidade para 235 feirantes e foi apresentada ainda a capacidade “alternativa” do recinto para albergar outro tipo de eventos, onde poderão caber 10 mil pessoas.

A proposta tem um aspecto visual interessante, com um viaduto pedonal que atravessa todo o recinto e que constitui um elemento marcante e que irá valorizar sempre o sítio.

Do ponto de vista da relação da proposta com os elementos existentes, garante-se que o actual percurso da viela fique marcado no recinto, através do tratamento diferenciado do pavimento. Fica portanto salvaguardada a “memória” daquele atravessamento, como defenderam os autores do projecto. O enquadramento do edifício do Convento das Dominicas foi igualmente uma preocupação, embora não tenha ficado claro na apresentação de que forma essa valorização foi materializada no desenho.

A nova “via estruturante” proposta, que resulta do prolongamento do cul-de-sac existente, em frente ao mercado, vem igualmente promover a consolidação urbana e a acessibilidade automóvel do sítio, possibilitando o atravessamento daquela área, resultante do interior do enorme quarteirão que enforma o recinto.

 

Tendo em conta outras experiências do género, nomeadamente a construção do recinto da feira das Caldas das Taipas, talvez fosse interessante perceber o que falhou neste projecto e encontrar algumas soluções para as suas insuficiências ou mesmo deficiências.

Este tipo de intervenção é regra geral simples. Trata-se de espaço aberto, que é tratado ao nível do pavimento, mas que permite a todo tempo a sua reabilitação para outro tipo de usos. Daí que, ao contrário do foi dito na apresentação do projecto, a expectativa mantém-se com a reversibilidade do uso e assim, também a especulação inerente.

Duas das opções que foram também tomadas no recinto da feira das Caldas das Taipas, respeitam ao tipo de pavimento proposto e a não utilização das árvores no interior do recinto. Esta última justificada pela desejada polivalência do espaço, permitindo a realização de eventos vários.

A opção pelo pavimento betuminoso, implica a total impermeabilização de uma área considerável, o que tem implicações ao nível da infiltração das águas pluviais, da manutenção dos ciclos naturais da água e ainda do aumento da torrencialidade da água, aumentando a probabilidade de ocorrência de cheias, que já são frequentes naquela zona da cidade. Portanto, era desejável que, ao nível do pavimento, se optasse por um pavimento permeável, que permitisse uma maior infiltração das águas das chuvas e assim um menor impacto no sistema de águas.

Houve, tal qual como no caso das Caldas das Taipas, uma certa aversão à plantação de árvores no recinto, com a justificação de salvaguardar o espaço para outras utilizações que necessitassem de uma área livre. Ora, parece que esta opção não será a melhor, na medida em que não aproveita o potencial criado com um recinto deste género.

A aversão à sua plantação é, nos tempos que correm, um contra-senso. As áreas verdes e arborizadas são, cada vez mais, um importante activo para o ambiente e para a qualidade de vida das cidades. O argumento de que as árvores estorvam, não poderá ser justificação suficiente.

O espaço sairia mais valorizado no caso de ser aproveitado para um novo espaço verde, fresco e agradável, possível de ser utilizado durante praticamente todos os dias (excepto no dia de feira), em vez de um recinto desagradável, seco e terrivelmente quente nos dias de calor, utilizado nos dias de feira e pouco mais. Parece evidente que a cidade e os seus habitantes ganhavam muito mais com a primeira hipótese.

Outro dos aspectos que falhou no recinto das Caldas das Taipas foi encontrar uma solução para a fixação das tendas. O que se passa é que como o recinto não tem pontos de ancoragem os feirantes tratam de os criar à sua maneira, fazendo furos no pavimento – furos esses que se vão alastrando com o tempo. Seria talvez importante pensar numa solução, que ficaria facilitada no caso de um piso permeável (por exemplo, com blocos abertos de betão).

Finalmente, o último reparo que se faria em termos de desenho, respeita às confrontações do recinto com as traseiras do edificado existente à volta. Pela planta apresentada, não foi salvaguardada uma zona tampão o que na prática irá resultar na total visibilidade das traseiras dos edifícios.

À excepção do Convento das Dominicas e da sua valorização visual, seria necessário solucionar o problema da visibilidade das traseiras dos edifícios a partir do interior do recinto, permitindo desta forma uma melhoria uma maior qualidade visual do cenário a partir do interior do recinto.

Apresentação do Projecto do Novo Espaço da Feira Semanal

Anúncios

Uma sondagem elaborada pela União Europeia, cujos resultados foram divulgados a semana passada, revelou que uma larga maioria da população europeia considera que as alterações climáticas são um dos principais problemas que a humanidade enfrenta actualmente.

Por outro lado, a mesma sondagem mostra que os europeus não têm grande disposição para alterar os seus hábitos como forma de combater aquele mesmo problema, concluindo-se que existe uma grande diferença entre a teoria e a prática.

Apesar dos grandes esforços que têm sido feitos nos últimos anos, para aumentar o nível e a qualidade da informação sobre Ambiente, as populações consideram que a informação que lhes chega não é ainda suficiente, apontando o dedo às entidades públicas e privadas, envolvidas na gestão das questões relacionadas com o ambiente.

Os dados do Eurobarómetro fazem concluir ainda que cipriotas e gregos são os mais preocupados quanto às questões ambientais. Por outro lado, República Checa, Portugal e Itália, são os países que se mostraram menos preocupados.

Os europeus consideram que a pobreza é o maior problema que enfrentamos à escala global, numa sondagem que envolveu os 27 estados-membros da União Europeia, mais a Croácia, Turquia, Macedónia e do lado turco de Chipre.

[pdf] Relatório Eurobarómetro

Em processos de planeamento do território, torna-se importante perceber quais os impactes negativos que terá uma intervenção antes do seu início. Quanto mais cedo for feita essa avaliação melhores serão os resultados e mais benéfica será a análise para os bens que se pretende salvaguardar.

Um grupo de cientistas espanhóis, desenvolveu um modelo de monitorização que pode ser utilizado em intervenções de grande escala na avaliação dos impactes nos habitats e no ambiente. O modelo foi desenvolvido aquando da reestruturação da rede de transportes espanhola e utilizou vários critérios como a geologia, hidrologia, qualidade do ar, características do solo entre outros.

O processo de monitorização permitiu chegar à conclusão de quais seriam as áreas mais sensíveis e onde se deveria evitar intervir. Os resultados do trabalho dos investigadores espanhóis permitiram que o Plano de Infra-estruturas de Transporte Espanhol sofresse algumas alterações.

Foi publicado e apresentado esta semana mais um Relatório do Estado do Ambiente em Portugal. Em 2006 e apesar de todos os esforços financeiros, Portugal continua com um desempenho medíocre ao nível no setcor ambiental.

Este será sem dúvida o resultado de anos e anos de incúria e de desrespeito pelas mais básicas regras de manutenção de um bom ambiente. Partimos na década de 80 (a Lei de Bases do Ambiente é de 1987), com a publicação de uma imensidão de diplomas legais. Portugal chegou a ser considerado o país com melhor legislação ambiental.

O esforço ao que parece, terá que continuar por mais alguns anos. Segundo o relatório, publicado pela Agência Portuguesa do Ambiente, o país apresenta notas negativas em vários indicadores como o nível de educação pela população jovem. Este indicador por si só é preocupante – significa que as novas gerações não estão suficientemente alertas para os problemas ambientais.

As boas notícias são que alguns indicadores, mesmo sendo ainda negativos, apresentam tendência de melhoria, tendo em conta os relatórios dos anos anteriores. Um dos indicadores que terá peso de chumbo na economia portuguesa será o da emissão de gases com efeito de estufa. O mercado do carbono obriga a que o estado português tenha que pagar por cada tonelada de CO2 a mais que emita.

É uma evidência que as preocupações ambientais estão na ordem do dia. Questões como o aquecimento global e as alterações climáticas fazem hoje parte das preocupações de uma considerável parte da população.

Estas preocupações fazem-se sentir mais rapidamente nos ambientes onde cada vez mais as pessoas vivem, ou seja nas cidades, elas próprias, como organismo primariamente comandado por acções humanas, grandes motivadores dos efeitos globais do efeito de estufa, devido à massiva quantidade de emissões de gases provocadores daquele efeito.

O ambiente urbano é por isso um dos aspectos que imediatamente carece de ser repensado, nomeadamente na forma de estar na cidade e de usar a cidade. As nossas dependências e os nossos vícios.

Na arquitectura, as preocupações em torno da construção sustentável começam a dar os primeiros passos. Alguns arquitectos e urbanistas, com por exemplo o gabinete liderado por Andrés Duany (DPZ), começam já a pensar mais além. Não basta termos casas ambientalmente sustentáveis se por outro lado continuamos altamente dependentes do automóvel, que por sua vez é utilizado para viagens diárias para o trabalho.

O “novo urbanismo” que começa a despontar nos Estados Unidos da América vai ao encontro destas ideias. Todo o espaço construído e não construído (e não só os edifícios por si) deverão ser sustentáveis do ponto de vista ambiental. E não só, por que a nossa saúde e bem-esar também agradecem.

Esta nova filosofia de organização do território assenta em aglomerados de média densidade (que evite por um lado uma dispersão desmesurada da ocupação e o seu congestionamento urbano por outro). Estes aglomerados deverão estar organizados de forma a que habitações, escritórios, lojas e equipamentos estejam próximos e acessíveis por percursos pedonais, minimizando a necessidade de utilização do automóvel. Para isso, será igualmente necessário um eficiente sistema de transportes.

Toda esta forma de pensar a organização das cidades e o seu sucesso, está dependente de uma alteração radical nos modos de vida que estão profundamente enraizados nas nossas sociedades. Portanto, a forma como procuraremos alterar esses hábitos será talvez a tarefa mais difícil.

Nota: este texto partiu da leitura do artigo intitulado “How Green Is Your Neighborhood?” publicado na revista Time.

Da mesma forma que por vezes nos esquecemos dos aspectos mais básicos que suportam a nossa existência como indivíduos, também nos vamos esquecendo do que alimenta e qual o sentido primordial das coisas mais elementares no meio que nos rodeia.

Por várias vezes escrevi que as cidades fazem sentido se tiverem gente dentro. Gente que comunica entre si, que troca, que discute e que se apaixona. A cidade é um organismo. Um sistema, alimentado por estes inputs que, quanto mais consistentes forem, melhor será a nossa qualidade de vida como comunidade.

As crianças precisam de saber o que é e como funciona a cidade. E a cidade por sua vez precisa das crianças para ter mais vida e, seguramente mais alegria. As crianças precisam de se habituar e precisam de criar defesas na cidade. Caso contrário, com maiores dificuldades irão percebê-las mais tarde. A cidade, por sua vez, precisa de ser planeada e desenhada tendo em conta as necessidades e as limitações dos miúdos e, talvez mais importante, a forma comos os circuitos típicos dos adultos se cruzam com os dos mais novos.

Todos estes aspectos sustentam o facto de não ser a favor da segregação das crianças em centros escolares, fora dos centros urbanos. E não é só por gostar de ouvir a festa que fazem quando atravessam as vilas e as cidades quando regressam a casa…

Marina Tavares Rodrigues publicou mais um volume da colecção Lisboa Desaparecida (Edições Quimera). O nono. Desta vez não se trata de recuperar fotografias de edifícios que desapareceram da cidade. Este volume procura os sítios de onde as pessoas desapareceram, ou então sítios que se apagaram do desenho mental dos habitantes da cidade.

“As pessoas vivem numa cápsula. Saem da cápsula casa, entram na cápsula elevador, saem da cápsula garagem e entram na cápsula automóvel e voltam a sair na cápsula escola. Ao fim-de-semana vão para a cápsula centro comercial. Os mais velhos separam os filhos da cidade onde moram. Não se assimila que a cidade é uma mais-valia que todos temos” – disse Marina Tavares Dias à revista Visão.

No passado dia 27 de Setembro, foram apresentadas cinco propostas de intervenção urbanística para a cidade de Guimarães. Estes projectos, a serem executados irão alterar significativamente o aspecto de Guimarães, assim como a forma de fruição desses espaços.

Desde a altura daquela apresentação, tem-se assistido a um debate muito interessante sobre a forma de pensar a cidade. No primeiro dia de Novembro vários bloggers organizaram um debate sobre este tema e no dia 12 de Dezembro várias entidades organizaram um debate sobre as alterações para o Toural, para a qual foi também apresentada um proposta de intervenção. Este caso particular tem merecido um debate mais participado: primeiro, pela forma arrojada como a proposta pretende alterar aquele espaço e; segundo, por o Toural ser uma das praças mais emblamáticas da cidade berço.

Samuel Silva, autor do blog Colina Sagrada, lançou-me o desafio de discorrer um pouco sobre a proposta para a Veiga de Creixomil. Acedi e o texto pode ser lido em três partes no referido blog.

5 projectos: A Veiga de Creixomil e a Plataforma de Silvares
Parte I; Parte II; Parte III